sábado, março 07, 2009

Todo dia é dia da mulher

Rita Lee já disse que mulher é bicho esquisito. E bota esquisito nisso! Solteira, ficante, casada, viúva, separada, nunca mais. Homem é tudo igual, só muda de endereço. Novamente apaixonada, será que ele vai ligar? Eu é que não telefono, não tô nem aí. Dessa vez é para sempre.

Pode dizer sim, quando quer dizer não, ou vice-versa, tem sexto sentido, deseja discutir a relação. TPM, ninguém me ama, sente-se a última das últimas. Nunca tem nada para vestir, se afunda em um pote de sorvete enquanto assiste, pela milésima vez, a “Casablanca” e, no dia seguinte, passa à base de alface.

Já acreditou em príncipe encantado. Agora sabe que é melhor ficar sozinha do que acordar ao lado de um sapo. Dá nó em todas as camisas do traidor, coloca a mala do lado de fora enquanto ouve chorando ele bater na porta. Mas não abre.

Queimou sutiã, hoje coloca silicone. Vai trabalhar, o salto quebra, o chefe manda fazer 12 relatórios, responder a 83 emails, comprar os brinquedos para os trigêmeos, tudo para ontem. Finalmente, ela bate o ponto e sabe que o seu salário é menor do que o rapaz que ocupa a mesma função. Ou então, cozinha, lava, passa, costura e arruma, sem receber salário.

Encaracola os cabelos lisos, faz escova progressiva nos cachos, pinta os fios de vermelho, se depila com cera quente, tira a cutícula... e pergunta: “Você não notou nada?” Ele responde: “ Mudou o batom?”. Ouve a piadinha de que mulher só tem dois neurônios: o Tico e o Teco. Mas consegue ver a novela, falar ao telefone e digitar a sua dissertação de mestrado, ao mesmo tempo.

Gosta de ir ao banheiro com as amigas, de fofocar, de guardar segredos. O olhar diz tudo - meigo ou fulminante –, faz cara de paisagem. Tem um pretinho básico, mas coloca a roupa vermelha e sai pronta para matar.

Afirma não ser romântica. No entanto, guarda os cartões dos antigos namorados, adora receber flores e dar presentes que antecedem a tradicional pergunta: “Você sabe que dia é hoje?” E ele esqueceu que faz um ano que trocaram o primeiro beijo. Entra em greve, prepara um jantar para comemorar as pazes. É boa filha, mãe, companheira, funcionária, equilibrista, joga nas onze.

Comentam que é capaz de tudo por amor, que quando coloca uma idéia na cabeça, ninguém tira. Será? Segundo conta a lenda, para conquistar César, Cleópatra se enrolou em um tapete e o fez chegar até ele como presente. Penélope teceu e desfez, mais de mil vezes, um tapete para esperar um homem que amasse. Julieta preferiu morrer quando viu o seu sonho acabado.

As mulheres são sentimentais, sim. Mas também arregaçam as mangas e vão à luta. A missionária Dorothy Stang foi assassinada por defender causas ambientais e trabalhadores sem-terra. Madre Teresa de Calcutá apoiou e recuperou os desprotegidos na Índia. Maria da Penha Maia Fernandes conseguiu que o seu marido agressor fosse condenado. E tem a Ana, a Carolina, a Olívia... Meninas que descobrem, adolescentes que questionam, mulheres que executam, mães que agem iguais às suas, avós e bisavós que sorriem com sabedoria... Tantas e tão únicas. Frágeis e guerreiras. Por isso, concluindo com Rita Lee, é melhor não provocar.



História do Dia Internacional da Mulher

No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica em Nova Iorque, entraram em greve para reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga horária (elas eram obrigadas a trabalhar 16 horas por dia), equiparação de salários com os homens (recebiam apenas um terço do salário de um homem, para exercer a mesma função) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com extrema violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas.

Mas só em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem às funcionárias que morreram na fábrica em 1857. Em 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas.

Nesse dia, na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões para tentar diminuir e, quem sabe, um dia terminar com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Ainda há muito para ser conquistado.

Um comentário:

Simples assim... disse...

Parabéns pra nós Li!!!!

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