sexta-feira, abril 10, 2009

Carta à população !





Sou professora e, gostaria de esclarecer que existem outros problemas, enfrentados diariamente, para dar a aula de cada dia.

Não podemos restringir a baixos salários, falta de motivação ou de capacitação e, muito menos, chamarmos para nós a situação precária em que se encontra o ensino público.

Afirmo que existem problemas que ocorrem, inerentes à vontade do professor, e impactam diretamente na qualidade do trabalho docente.

Há algum tempo a educação vem deteriorando, devido a inúmeras (e ineficazes) mudanças que nos empurram goela abaixo, além do fato de que, atualmente, o professor passou a ser o grande vilão da educação; o professor passou de herói à vilão, de solução à problema, numa queda vertiginosa, do respeito à chacota.

Dentre muitos problemas, a Síndrome de Burnout está aí, mas ninguém quer enxergar:

* Falta de tempo para realizar o trabalho (cada vez mais alunos, mais papéis a serem preenchidos, reuniões ineficazes, etc);

* Burocratização do trabalho (relatórios, retrabalhos, etc);

* Conflito de papéis (ora professor, ora pesquisador, ora administrador);

* Exigências acadêmicas: novos curriculuns, avaliações MEC, novas tecnologias;

* Invasão do espaço privado: trabalho em casa, à noite e nos finais de semana. Trabalho que exige concentração (escrever relatórios, preparar aulas, elaborar projetos, etc);

* Preocupação da escola com desempenho acadêmico e tecnologia, sem valorizar a qualidade de vida do professor, os valores humanos prescritos da Instituição.ras
Temos objetivos para cumprir, porém, esquecem que, quando o aluno não consegue apreender os mecanismos necessários ao seu letramento, ele deveria ter um acompanhamento eficiente com a finalidade de detectar se o problema é de cunho pedagógico ou não. Creio que, desta maneira sim, conseguiríamos atingir um nível desejável de qualidade quanto ao aprendizado de nossas crianças, principalmente aquelas que residem em áreas de conflito. E, veja bem, não estou falando de oficinas, crianças na escola em horário integral ou coisas semelhantes; isto não vai resolver o problema.

A situação é complexa: o sistema visa interesses próprios, porém, a vida é seletiva e todos devem estar bem preparados.

Enquanto insistirem em fazer de nossos alunos, cobaias, nós, professores, continuaremos reféns desse sistema pífio e réus a serem julgados pela insensibilidade de quem "decide" Educação.

Há mais, muito mais a ser dito para explicar os problemas da educação pública e, com certeza, os professores não são os grandes vilões dessa triste e mal sucedida experiência a que vêm submetendo a Educação.

Um comentário:

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