sábado, setembro 26, 2009

Veja se não temos razão !!!

IMPORTANTE LEITURA PARA EDUCADORES, PAIS E SOCIEDADE EM GERAL

De José Francisco de Moura, doutor em História Social pela UFRJ.

Depois de ser usada como exemplo de secretária, pelo prefeito do Rio que disse que não bastava por ovos é preciso cacarejar, ela profere isso: " ... o professor falhou...

Pedagogia da Enganação

"Se o aluno não aprendeu, o professor falhou". Quem disse essa frase absurda foi Cláudia Costin, a Secretaria de Educação do município do Rio de
Janeiro no governo Eduardo Paes.

Para que os leitores entendam um pouco mais a frase simplória da nova
Secretária, vou citar alguns exemplos.
Vamos imaginar, primeiramente, uma turma de sétima série de um colégio
público. Ali, três jovens rapazes sentam-se ao fundo da sala em todas
as aulas. Não se interessam por aquilo que os professores falam, não
querem copiar o que eles escrevem no quadro e não fazem os exercícios
passados. Ouvem seu funk no MP3, que insistem em colocar no ouvido.
Fazem gracinhas o tempo todo, muitas delas, grosserias da pior
espécie, para as meninas da sala. Dizem-se do CV, sigla que desenham
de forma estilizada no caderno. Sorriem das notas baixas que tiram.
Nada parece fazer com que mudem o comportamento. Quando um dos
professores fala da importância de estudarem para crescerem na vida,
debocham, lembrando que jogadores de futebol, cantores de pagode e
traficantes são bem sucedidos sem terem estudado. (um aparte meu: lembram-se do presidente Lula, que não estudou e se gaba disso)

Na sala ao lado, três meninas da oitava série também se sentam lá
atrás, o tempo todo. Vestidas com saias super curtas, só falam dos
gatinhos que as paqueraram no baile de sábado e dos anéis e pulseiras
que pretendem comprar, à mostra em um catálogo de bijuterias que lêem
com freqüência. Nada do que se passa na frente da sala as interessa;
muito menos as aulas. Estão ali por imposição de suas famílias que,
por sinal, são totalmente desestruturadas, com pais alcoólatras e mães
que trabalham muito para sustentar a casa. Não associam o aprendizado
a novas perspectivas de vida. Pensam que, se forem saradas e
gostosinhas, poderão arrumar um cara que as banquem, ou mesmo, quem
sabe, seguir a carreira de modelo. Quem sabe alguém não as descobre?
Vocês, caros leitores, acham justo que a culpa do fracasso escolar
desses seis jovens seja jogada em cima do professor? Vocês acham justo
que esses seis jovens passem de ano sem terem dominado os conteúdos
ministrados?

Pois é isso que defende a maioria esmagadora dos pedagogos, inclusive
Cláudia Costin, a qual tem tentado maquiar a aprovação automática com
uma conversa fiada sobre aprovação por ciclos.

Bom, amigos, esses são exemplos do que acontece com milhares de jovens
nas escolas do país. Desinteressados por leitura, ciência ou qualquer
forma de aprendizado formal, estão na escola por tudo o que você pode
imaginar, menos pela vontade natural de aprender. E vontade de
aprender é fundamental para que o professor alcance o objetivo de
ensinar, pois o processo ensino-aprendizagem é uma via de mão dupla.
Essa vontade deve partir do aluno, e não do professor. Exigir que o
professor desperte isso em um aluno desse tipo é uma covardia com os
docentes, uma maneira fácil de tentar explicar uma situação complexa,
já que os motivos do desinteresse dos alunos são de diversas ordens:
cultural, de classe social, religiosa, psíquica e familiar.

Entendo a mediocridade da maioria das teorias pedagógicas, já que a
pedagogia não é uma ciência, mas um saber prescritivo, um conjunto de
axiomas quase do senso comum. É um saber que muitas vezes se apropria
mecanicamente de outras teorias, de outros campos do saber, como a
sociologia, a filosofia, a biologia e a psicologia, e tenta aplicá-los
em crianças e adolescentes.

Por isso mesmo, já ouvi grandes barbaridades de pedagogos. Já ouvi que
o professor, para ensinar bem, não deve mascar chiclete, sentar na
mesa da sala, usar tatuagens, falar gírias, falar de religião, etc.
Obviamente, nenhuma dessas afirmações possui qualquer base científica,
mas estão apenas nas cabeças preconceituosas e primitivas de muitos
pedagogos.
Você pode ser um excelente professor e ensinar muito bem aos alunos
fazendo todas essas coisas. Mas não conseguirá fazer um aluno aprender
se ele se recusar a isso. E, se ele se recusa a aprender todas as
matérias, as causas devem ser buscadas em seu contexto de vida, e não
serem atribuídas a uma suposta incompetência do professor sendo essa a
maneira mais medíocre com que a pedagogia tenta explicar a situação.

Na verdade, explicar o fracasso escolar colocando a culpa no professor
faz parte da grande Pedagogia da Enganação que tomou conta do país.

De José Francisco de Moura, doutor em História Social pela UFRJ.


















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Um comentário:

Simples assim... disse...

Falou tudo!!! Tudo mesmo.....

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