domingo, outubro 25, 2009

Desordem Pública


Um homem morto jogado num carrinho de supermercado, em uma rua de Vila Isabel. Um helicóptero abatido. Centenas de famílias abandonando suas casas e se refugiando na dependência de amigos. Aonde chegamos?

No intolerável território do descontrole da ordem pública. Essa é uma realidade que, vez ou outra, emerge com mais horror, mas é uma verdade vivida cotidianamente pela população, notadamente a mais pobre, na cidade do Rio de Janeiro.

Não existe um plano seguro e articulado para livrar o Rio do governo do crime. Existe o confronto, a coragem da polícia que perde seus homens todos os dias — pais, filhos, maridos —, boas intenções de comandantes da polícia, mas uma estratégia do Estado brasileiro diante do atentado ao Estado de Direito que representa a ação e controle do território urbano pelo crime organizado do tráfico e das milícias, não há.

Das duas, uma: ou não se reconhece a gravidade da violência que acontece há muito na cidade do Rio de Janeiro, ou a incompetência beira o criminoso.

“A banalidade do mal” foi a expressão cunhada por uma filósofa sobre a capacidade de homens medíocres e comuns executarem ações de extermínio no Holocausto, durante a Segunda Guerra mundial. A banalidade do horror é o que vivemos hoje no Rio.

Antes, os cadáveres eram desovados nas valas, num lugar podre da cidade, na periferia, distante do Centro da cidade. Agora, são despejados no meio da rua, nos carrinhos que usamos para fazer as compras daquilo que usamos para alimentar as nossas famílias todos os dias.
Moacyr Goes

2 comentários:

Simples assim... disse...

Li, eu vi na TV uma moça chorando muito, contando que sua casa pegava fogo enquanto as balas corriam soltas na rua, e ela não sabia para onde correr.... Li, o q é isso???? Como as pessoas acham isso normal????

Lia Honorato disse...

Isso não é normal,mesmo!Estou com horror ao RJ!

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