domingo, janeiro 03, 2010

Amor e Caminho (Layz Costa)



O quarto está vazio e é como se seu silêncio gritasse nele o tempo inteiro. Pelas portas, pela janela, pela estante - as roupas conversam e se combinam esperando o melhor jeito de te combinar, os sapatos ensaiam os passos pra chegar mais perto - eu não ajo mais.
Arde em mim como se fosse verdade, a lembrança que eu vesti de mentira, que eu contei pra mim como mentira, que eu menti e camuflei - te escondi. Não há mais nada, nem palavras, nem um tom de luz que me faça acreditar por um minuto que o ambiente está pronto, você não vai voltar, não há o que fazer, nada físico alterará as rotas.
Eu formulo mil teorias, caio num sono profundo, mexo as pernas, fecho os olhos, bebo água, bebo mais água ainda, acordo e você não volta, olho e não te vejo mais. Te transformo, novamente, numa lembrança.

Mas o amor, quando é pra chegar, se veste na forma de decepção, de onde menos se espera ele surge e quanto menos se espera mais ele arrebata - corações sempre limpos, não esperam por nada e por isso sentem tudo - o máximo de sensações, de gostos, de toques. A delicadeza de um olhar e a maneira mais cruel e sutil de dizer sem palavras um 'eu te amo' inconfundível, inesquecível, desses poucos que explodem dentro e quando sai enche quem ouve e quem disse - transforma.
Você quando me amou não me pediu pra ser simples, nem nada. Quem ama não pede nada. Há apenas mais um caminho, cheio de pedras e obstáculos suficientes pra eu tentar ser acolhida por você, pra você me provar que seu colo tem o tamanho exato da minha solidão.

Um comentário:

Simples assim... disse...

Noooooooooossa q lindo, ai querida Li vc num faz idéia de como faz bem ler seus textos!!!!

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