domingo, maio 23, 2010

Cidade Violenta


A vida das pessoas vai valendo muito pouco pelas ruas da cidade. A perda dos valores elementares de sociabilidade constrói para nós um mundo de dor, solidão e abandono.

Esta semana, um menino foi morto porque brincava com um cavalo, e o dono achou que iria furtá-lo. Acabou-se a vida do menino por conta de uma brincadeira e uma estupidez. Para o pais, fica a dor abissal, a impotência e o sentimento de desamparo. A vida partida em dois.

Essas notícias me deixam na lona. Imediatamente, como todo pai, acho, penso nos meus filhos. E se fossem eles? Que cidade é essa? Que país é esse em que crio meus filhos?

No dia da tragédia, fui buscar o menor na escola e fomos almoçar numa padaria, antes de sua aula de música. Na TV, ouvimos a notícia. Ele parou de comer e arregalou os olhos, mas nada disse.

Ao lado, um trabalhador falou de boca cheia: “Quem mandou estar na rua? Outro dia um moleque tocou fogo num cavalo. Agora, os pais vêm chorar na TV!” E continuou a encher a boca de comida, embrutecido. Continuamos nosso almoço em silêncio.

O que terá acontecido a esse homem para possuir pensamento tão torto, desumano e insensível, pensei. Olhava de soslaio para ele, homem transformado em besta.

Lembrei-se do poeta Torquato Neto: “Se quiser saber a diferença entre um homem e um touro, coloque os dois na fila do matadouro. Aquele que gritar mais é o homem, mesmo que seja o touro”.

Um comentário:

Simples assim... disse...

Pois é Li, e como eu sempre digo, a diferença tb é q o ser humano é o UNICO animal q mata e machuca por prazer..... nenhuma outra espécie de animal faz isso.... É triste demais ver q o ser humano está regredindo tanto.....

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