domingo, março 21, 2010

Corredor da morte,é pouco !

Nem merece fotos !Crime hediondo!






O jogo de estratégias e a emoção vão tomar conta do julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá Nardoni — pai e madrasta —, acusados da morte da menina Isabella, de 5 anos, amanhã, a partir de 13h, no 2º Tribunal do Júri, em São Paulo. A defesa deve utilizar até uma banana para contestar parte do trabalho feito por peritos e desqualificar a sustentação da tese da acusação do Ministério Público. O duelo estará sob olhos atentos de sete jurados. Serão eles os responsáveis pelo veredicto final que pode levar à condenação ou absolvição do casal.

Não está descartada a hipótese de o juiz Maurício Fossen adiar o julgamento, a pedido da defesa, no início da audiência. Isso porque uma das testemunhas do casal, o pedreiro Gabriel Santos Neto — que sustentaria a tese de que um ladrão arrombou uma obra vizinha ao prédio onde a menina caiu — não foi localizado.



A possibilidade não joga por água abaixo os planos da defesa e acusação, em um júri diferente da maioria por não ter testemunha ocular, só provas técnicas. No caso da defesa, os laudos da perícia técnica e do Instituto Médico Legal de São Paulo são os alvos. O advogado do casal, Roberto Podval, por exemplo, pediu para apresentar no júri uma banana e alguns produtos químicos. O objetivo é desmoralizar a ação do Bluestar — reagente usado pelos peritos, que constatou a presença de sangue no chão do apartamento dos Nardoni.

“Fui à fábrica do Bluestar. Ele identifica como sangue vários outros produtos e até frutas”, adianta Roberto Podval. Ele contará com o apoio de uma encarregada da parte técnica, Roselle Soglio. É a primeira vez que esse tipo de estratégia de defesa é montada em um tribunal do País. Para a acusação, o desafio do promotor Francisco Cembranelli é usar os laudos, que não são conclusivos, para demonstrar como o casal agiu para matar a menina.

Segundo a denúncia do Ministério Público, Isabella foi estrangulada pela madrasta e arremessada pelo pai, da janela do 6º andar, do prédio onde moravam. “De fato, as provas técnicas não são firmes. Mas são indiciárias. O promotor terá que transmitir segurança, confiança e tranquilidade”, avalia o criminalista Luiz Flávio Gomes, que atuou 15 anos como juiz e presidiu mais de 300 júris.

Defesa vai contestar provas

As contradições nos laudos periciais serão os principais argumentos da defesa para conseguir a absolvição do casal. “As informações não batem. Uma delas é a de que o Alexandre jogou a menina no chão do apartamento, de uma altura de 1,5 metro. A ação teria provocado rompimento nos ossos da bacia. Nem se ele fosse uma espécie de lutador como o Maguila, isso seria possível”, afirmou o perito George Sanguinetti, que foi ouvido na Justiça, como testemunha de defesa do casal.

O desembargador Antonio Carlos Malheiros diz que falhas nas provas podem tornar racional o julgamento, “o que poderia causar uma grande surpresa e até absolver o casal”. Com 30 anos de experiência como perito, Raphael Martello lembra que “qualquer produto do trabalho humano é passível de erro”. Ele cita uma ONG nos EUA que já libertou mais de 400 pessoas depois de condenadas. “Entre as causas mais comuns de inocência são erros nas provas periciais”.

77 PESSOAS NA SALA DE AUDIÊNCIA

Peças chaves no julgamento do caso, os jurados começaram a ser escolhidos em janeiro. Na ocasião foram sorteados pelo juiz Maurício Fossen 45 — 25 titulares e 15 suplentes. Eles são auxiliares, técnicos, operadores de telemarketing, contadores, arquitetos e profissionais de educação. Amanhã, em novo sorteio, os sete que participarão efetivamente do julgamento, serão anunciados. Mas a escolha também passa pelo crivo da defesa e da acusação. Tanto os defensores do casal quanto o Ministério Público terão direito a descartar três nomes, sem precisar explicar à Justiça. “No caso da defesa, eles podem adotar a estratégia de descartar mulheres grávidas e mães. Já a acusação, os idosos que, geralmente, são mais tolerantes”, opina o criminalista Luiz Flávio Gomes.

Na sala de audiência estarão 77 pessoas, entre jornalistas, parentes e advogados. O julgamento não poderá ser filmado nem fotografado. A Polícia Militar montou esquema especial de policiamento. Serão utilizados 30 homens. Alexandre e Anna Carolina, que estão presos respectivamente em penitenciária masculina e feminina, percorrerão em média 140 quilômetros até o tribunal.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...