segunda-feira, abril 19, 2010

Todo ser humano deve ter um cachorro pra saber o que é amor

O Mundo em tirinhas


Principalmente depois da década de 40, artistas de vários cantos do mundo vêm empregando arte e texto seqüencial para contar histórias. As revistas em quadrinhos, como são conhecidas no Brasil, possuem uma característica marcante: a linguagem. Diretos e visualmente atraentes, os quadrinhos costumam cativar leitores pela dinâmica de textos e detalhes de imagens, hoje em dia cada vez mais tecnologicamente aperfeiçoados.


No início, os quadrinhos eram tidos apenas como arte, porém, em algumas nações, os quadrinhos são considerados cultura de massa e parte da representação social do povo. Durante o período do Shogunato (época em que grandes e poderosas famílias controlavam o Japão sem o poder de uma autoridade central), o povo japonês não tinha liberdade para lutar ou falar sobre o regime de poder e, para isso, usava os mangás, como são chamados os quadrinhos nesse país, como forma de expressão e meio de protesto. Muitos foram os artistas presos por incitar guerra ou revolta em suas histórias em quadrinhos. Dessa forma, no Japão, hoje o mangá é uma mídia respeitada e uma indústria que movimenta milhões de dólares no país. “No Brasil, aos poucos os quadrinhos foram sendo valorizados como obra artística, mas diferente de uma pintura, por exemplo, ele mantém um diálogo íntimo com o seu leitor”, explica o roteirista José Aguiar.


Fora toda a proposta de mídia das HQs, ultimamente os quadrinhos vêm sendo utilizados também como ferramenta de educação. Menos fictícios e mais educativos, essas revistinhas estão sendo levadas para dentro da sala de aula, como método de ensino complementar aos livros didáticos. “Todo tipo de mídia pode agregar algum conhecimento à educação da criança, desde que supervisionada”, ensina a psicopedagoga e especialista em estímulo cultural para crianças, Ana Cássia Maturano.


Para que o processo de aprendizagem com quadrinhos seja bem-sucedido, tanto pais quanto professores precisam manter o contato e a bagagem do aluno com as revistinhas. “Os pais devem ter plena participação no processo de introdução da criança no mundo dos quadrinhos educativos, mas não devem ofuscar os interesses da criança. Eles podem, por exemplo, apresentar alguns gibis aos filhos, explicando que se trata de historinhas ilustradas etc. Depois, se a criança demonstrar interesse, os pais podem levá-la a uma banca de revistas para lhe mostrar as opções adequadas. Dentro dessas opções, a criança pode escolher a que mais lhe agrada. Deve ser sempre uma situação de parceria entre pais e crianças – e, claro, contando com a participação da escola, onde o contato do pequeno com variados tipos de leitura deve ser constante, diário”, aconselha a psicopedagoga.

O contato das crianças com os quadrinhos não deve substituir seu aprendizado com livros e materiais didáticos, ou com obras originais. Pelo contrário, as HQs devem servir de estímulo à cultura. “A leitura dos originais é imprescindível, pois é óbvio que há coisas que os quadrinhos captam perfeitamente da obra original, mas há outras que só a boa leitura de um livro irá possibilitar. No entanto, esses dois meios não se rivalizam, pelo contrário, conseguem coexistir”, aconselha o roteirista Lauro Ferreira. Um meio de estimular cultura com a própria cultura.
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