segunda-feira, abril 04, 2011

Desmotivação

Ao contrário do que se via até o final da década de 1970, a figura do professor na sala de aula não tem, hoje em dia, o mesmo prestígio de antigamente. "Naquela época, ser professor era como ser médico, juiz ou padre", afirma Roseli Souza, assessora pedagógica da divisão de sistemas de ensino da editora Saraiva, sobre a autoridade máxima de quem ensinava informações tão fundamentais como o alfabeto.

Apesar de todos os aspectos positivos que vieram com o fim da ditadura militar no Brasil, Roseli diz que, nesse processo, os professores estão perdendo gradualmente o poder e a autonomia na sala de aula. "Embora tenha ocorrido uma manifestação da própria classe docente pela democracia, alguma coisa se perdeu no caminho e não conseguimos reaver", lamenta.

A desvalorização da profissão já pode ser vista em números. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), na educação básica brasileira (que inclui a educação infantil, a especial, o ensino fundamental, o médio e a educação de jovens e adultos - o EJA), em 2007 havia 2.500.554 profissionais atuando em sala de aula. No ano de 2009, esse valor baixou para 1.977.978.

Para Roseli, a causa é a desmotivação da categoria. "O próprio aluno já não consegue se reconhecer nesse professor quando o vê desestimulado. Outras vezes o estudante se interessa pela carreira, mas os pais desestimulam", afirma. Entre os motivos estão os baixos salários, desinteresse dos alunos e até episódios de violência

Um comentário:

VaneZombie disse...

Ninguém aqui quer viver de passado, mas que as coisas mudaram e que nesse meio tempo os professores perderam sim seu status, isso é fato.
Se a quantidade de pessoas interessadas em fazer formação de professores, alguma faculdade e lecionar está diminuindo, o mínimo que se esperaria seria a valorização da profissão. É uma questão de oferta e procura... menos professores, precisamos atraí-los, mesmo porque a população cresce e precisaremos deles.
Mas, como vivemos no país do contrário, isso deve ser algo muito difícil de pensar, quem dirá então fazer...
Só sei que a educação de modo geral está cada vez pior, temos cada vez mais informação, mais ao mesmo tempo menos saber. Mas aqueles que tomam decisões na área da educação ou nunca pisaram numa sala de aula ou já se esqueceram de como é isso. Porque nós, professores, estamos abandonados e só fazemos nosso trabalho por senso moral e um resto de idealismo e não por orgulho ou em busca de reconhecimento, porque isso, certamente não virá. Não de onde deveria, pelo menos.
E como exigir de um aluno respeito se em casa ele ouve os pais (quando os tem) falar absurdos sobre quem se mata em sala de aula para ensinar, ser psicólogo, terapeuta, mãe e pai dessas crianças??? Quando eu estudava, meus pais acreditavam nos professores e eles eram a autoridade máxima no tempo em que eu passava na escola. Mas e hoje em dia?! Somos apenas os culpados por tudo aquilo que sai errado na educação ou no caráter do aluno. Especialmente se você é professor do 1º segmento.
A família te culpa, a SME te culpa, o MEC te culpa e o aluno te olha com cara de quem não sabe nada, porque, de fato, não deve entender mesmo!
Mas, quando eu estudava, meus pais me acompanhavam, verificavam meus cadernos, conversavam comigo, iam nas reuniões, estudavam juntos. Me sentia motivada. E isso faz a diferença. Não é só o professor que deve ter motivação... o aluno também!!! E não cabe só a nós encontrá-la. A educação é um trabalho em CONJUNTO.
Talvez se um dia os gênios do Ministério e Secretarias de Educação descobrirem isso e mudarem TODA a estrutura de escola como a conhecemos, porque certamente ela não dá conta mais das mudanças sofridas na sociedade, possamos começar a resolver parte da questão. Enquanto isso, vamos empurrando, sendo crucificadas e lamentando o que era ter virado o que é.

Desculpe o desabafo, Lia, mas ver como somos tratadas realmente me deixa assim.

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