sábado, janeiro 15, 2011

um presente de aniversário diferente

Era uma tarde de um sábado qualquer de 2000. Creio que do mês de Junho ou Agosto. Eu já usava a internet em casa havia alguns meses, mas não havia muita coisa que se fazer nela, como hoje em dia. Também, a conta de telefone alta, devido à conexão discada, estava deixando meu acesso com os dias contados. Mas, lá estava eu, sem ter o que fazer, quando resolvi abrir o ICQ (o equivalente ao MSN, nos dias de hoje, para quem é muito jovem para entender o que era).

Como eu estava começando a usar a Internet, não tinha lá grandes contatos. Algumas pessoas de um grupo sobre Síndrome do Pânico, e outras de um grupo de ex- Testemunhas de Jeová. Ou seja, papos que, na verdade, eu já estava um pouco de saco cheio. Assim, usei um recurso do ICQ que era fazer busca de pessoas que estivessem online e puxar conversa. Podíamos colocar um nome ou nickname e vinha uma lista dizendo quem estava on line e quem estava offline. Então, eu digitei "lindinha".

Dentre as dezenas de pessoas com este nick, cliquei na primeira que apareceu on line. Era a Lia, minha futura esposa.

Muito tempo depois de já estarmos namorando, ela me contaria que o acaso foi bem mais casual do que eu pensava. Ela estava no computador fazendo um trabalho para a escola em que ela dá aula, e não sabia que o ICQ estava aberto. Sendo uma usuária da Internet recente também, ela não sabia lidar com essas coisas. Na verdade, ela me disse:

- Eu havia desinstalado o tal do ICQ. Ou melhor, eu pensava que tinha desinstalado, e não sabia que ele estava entrando quando eu ligava o computador. Quando você apareceu do nada, eu levei um susto. Como tinha terminado o trabalho, resolvi te dar atenção.

Conversamos por alguns minutos pelo programa, mas quando ela soube que eu também morava no RJ, resolveu que era melhor conversar por telefone. Ela parecia não gostar muito de ICQ. Também não demorou muito pra que marcássemos de nos encontrar, em Botafogo, onde ela morava, com sua tia idosa.

Os dias se passaram e chegou o dia do encontro. Quando comentei isso com uma amiga da locadora onde eu alugava filmes, ela ficou tão empolgada com tudo, que cismou de pintar minhas unhas (com esmalte neutro, claro). Até hoje isso é motivo de piada aqui.

Eu já havia me encontrado com pessoas da internet, mesmo no curto período que a usava. Encontrei pessoas do grupo de Síndrome do Pânico para um churrasco e até encontrei outras do mesmo lugar, individualmente, mas nunca com intenções de algo mais, como era o caso agora. Eu estava nervoso, mas não queria demonstrar. Então, eu tinha dito ao telefone, que a primeira coisa que faria ao encontrá-la, seria beijá-la, e que ela não se assustasse com isso. E foi o que fiz, mesmo estando nervoso por dentro.

Fomos ao cinema ali perto, onde passava um filme chamado Santitos, que até hoje não nos lembramos absolutamente nada do que se passou na tela. Não olhamos muito pra ela.

Lia tinha uma história fantástica: foi criada pela avó e pela tia. Cuidou da avó até ela falecer aos 105 anos de idade. Mesmo com todas as dificuldades, ela e a tia nunca a colocaram num asilo. Professora do município, quando saíamos juntos, e encontrávamos alunos seus, era como se ela fosse algum tipo de pop star, e eles só faltavam pedir autógrafos. As mães, algumas, ao falar com ela, ficavam com os olhos rasos d'água, agradecidas pelo que ela fazia por seus filhos. É assim até hoje.

Não demorou muito para que resolvêssemos casar. Nem mesmo perdemos tempo com noivado. Estávamos na praça de alimentação, num dia como qualquer outro, quando o assunto veio à tona, e ela meio que pediu a minha mão. E, na verdade, já sabíamos o que queríamos. Então, não foi nenhuma surpresa e ela só verbalizou a coisa toda. Também não queríamos ficar enrolando, morando juntos sem ser casados nem nada. No fim das contas, pensávamos igual sobre muitas coisas.

Uma delas, é que não queríamos um casamento em igreja (não por motivos religiosos, mas pelas despesas), e nem grande recepção. Não precisávamos disso. Casamos no dia 12 de Janeiro de 2001, apenas no civil. No cartório estavam, junto conosco, minha mãe, um casal de amigos meus e as duas tias dela.

Nestes 10 anos já tivemos de tudo, inclusive crise conjugal, pela qual todo casal passa, e superamos. Já viajamos juntos pra vários lugares aqui do Rio de Janeiro e, como ela gosta muito de viajar, sonha em me arrastar para o exterior, voltando à Disneylândia, onde ela já esteve. Digo a ela que meu medo de avião não permite isso. Por ela, estaria viajando o tempo todo.

Não temos problemas com sogras, pois tanto gosto da mãe dela (mesmo criada pela avó, a mãe dela também participou da sua criação), como ela adora a minha. Minha mãe perdeu o medo inicial de que meu encontro fosse para que roubassem meus rins e a tia dela também consentiu, depois que ela disse que o encontro seria por ali mesmo, perto do prédio. Afinal, éramos praticamente desconhecidos da internet. O medo delas era natural.

Ah sim, e temos uma música. Meio clichê, mas temos. E agora temos mais um motivo para lembrar dela. Certo dia, há um ano mais ou menos, minha mãe estava aqui, quando "Amor I Love You" da Marisa Monte começou a tocar na TV, e minha mãe que estava aqui, falou:

- Essa é a música de vocês.

Disse isso casualmente, como quem diz, está fazendo um calor hoje. Eu e Lia nos olhamos meio estupefatos, se perguntando um ao outro, com os olhos, "como diabos ela sabe isso?" Sério, em nenhum momento, nenhum de nós dois disse isso a ela. Era uma coisa que só nós dois sabíamos, ou assim pensávamos. Mas, minha mãe tem dessas tiradas estranhas, já acostumamos.

Nos divertimos um com o outro, e procuro sempre ser o mesmo aloprado que ela conheceu. Nunca escondemos quem éramos e eu muito menos. Ela fumava quando a conheci, e mesmo detestando fumantes, bem, não tinha mais como voltar atrás. Eu brigo com ela a cada dia desses 10 anos por causa do cigarro e ela fala do meu vício em quadrinhos e internet, e diz que estamos quites. Não, não estamos!

Estes últimos meses está sendo mais uma etapa no nosso casamento, com ela se recuperando dolorosamente de um acidente, no qual quebrou o tornozelo e teve que operar. Só hoje conseguiu andar até a cozinha, com a ajuda do fisioterapeuta, pois ainda falta um pouco para que ela ande sem apoio. Os dias são difíceis mas vamos levando com bom humor.

Temos uma "filha" que é a Lucy, nossa cachorrinha, ja que filhos mesmo, é meio que decidido entre nós dois, que não queremos, por vários motivos que nem sabíamos que concordávamos.

Por fim, são dez anos de um casamento que começou com um clique e, quando nos lembramos de como foi, ainda é difícil acreditar. Se eu não estivesse no computador, se ela nao tivesse trabalho a fazer, se eu nao tivesse digitado "lindinha", se ela não tivesse escolhido o apelido "lindinha", se ela tivesse conseguido desinstalar o ICQ, nossas história de vida seriam totalmente diferentes nesses 10 anos.

Euteamoeliane.com.br

domingo, janeiro 09, 2011

filosofar

FILOSOFAR


Se eu soubesse filosofar
Veria estrelas e o luar
Veria a noite as ondas e o mar
Também perceberia os pássaros a cantar
Impediria também tanta gente de ser má

Se eu soubesse filosofar
Expressaria,logicamente a arte de amar
E sentiria todas as músicas no ar
E viveria a minha vida somente
Pra cantar

Se eu soubesse filosofar
Veria saída para o fim do túnel
E o balanço das folhas e os animais
Na terra a plainar

Se eu soubesse filosofar
Mudaria o rumo das coisas
E evitaria o sofrimento
Das pessoas que eu quero ajudar

Filosofar é difícil
É muito sacrifício
É maior do que tudo
Filosofia é expressão
É um sonho
É saber pensar e transformar.

Eliane

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...